Acabaram por desistir de ir ao ginásio. O ambiente entre os dois encontrava-se demasiado pesado e mais tempo perto um do outro poderia acabar mal. A morena estacionou o carro na garagem, saindo e trancando de seguida. Seguiam os dois, em pleno silêncio para o apartamento. Emily assim que entrou dirigiu-se ao quarto, fechou-se lá dentro começou a arrumar as suas coisas nas malas. Havia decidido que assim seria melhor para ela e para a sua irmã. Sabia que Jen e os restantes iam tentar convence-la a ficar lá em casa, por isso mesmo decidiu sair mais cedo, instalar-se num hotel e depois procuraria um apartamento para si. Não demorou muito até ter tudo arrumado, visto que havia chegado á pouco tempo e maior parte das suas coisas ainda estavam dentro das malas.
Abriu silenciosamente a porta do seu quarto, colocou a cabeça fora da ombreira da porta e olhou para ambos os lados do corredor. Não o viu. “Deve ter saído”, pensou. Deu de ombros e começou a levar as malas, uma a uma para o hall de entrada. Voltou ao quarto para trazer a sua mala do dia á dia, mais uma malinha pequena com as suas coisinhas e assim que voltou á sala viu-o parado a olhar as suas malas.
Emily – Precisas de alguma coisa daí? – Perguntou vestindo o casaco preto e abotoando-o.
Tom – Onde é que tu vais? – Apontou as malas e olhou-a de seguida a ajeitar o cabelo.
Emily – Embora – esclareceu.
Tom – Embora para onde? – Fez uma cara confusa e voltou a olhar as 4 malas de viagem á porta do apartamento.
Emily – Não é que seja da tua conta – atirou – Mas enquanto não encontrar um apartamento a meu gosto, fico num hotel.
Tom – E porque? Não estás bem aqui? – Voltou a olha-la. Ela riu-se ironicamente. Era preciso ser-se muito estúpido para dizer aquilo com imenso á vontade.
Emily – Ai Tom – abriu a porta do apartamento e chamou o elevador – Tudo menos ter de ficar debaixo do mesmo teto que tu e olhar para essa cara todos os dias – agarrou nas malas uma a uma e começou a mete-las dentro do elevador, entrando ela por fim – Eu depois falo com a Jen – sorriu falsamente – Passa bem, Tom Kaulitz – as portas do elevador fecharam-se, deixando o moreno completamente parvo com aquilo.
Acabou por entrar no apartamento fechando a porta de seguida. Mandou um sorriso matreiro e sentou-se no sofá. Afinal ele não tinha sido um erro, porque se realmente o tivesse sido, ela teria continuado a viver ali e a conviver com ele como senão fosse nada, mas não. Ela saiu dali para não ter de encara-lo todos os dias, e ele sentiu-se bem com isso. Sabia que mexia com ela e isso deixava-o demasiado contente.
Passado uma hora da morena ter saído, Jen e Bill entravam pelo apartamento e Tom encontrava-se no mesmo sítio, a ver televisão e a comer uma sandes.
Jen – Então amor – aproximou-se do namorado e depositou-lhe um carinhoso beijo nos lábios, sentando-se ao lado dele.
Tom – como correu o dia? – Olhou a namorada e depois o irmão a sentar-se numa poltrona e espreguiçando-se.
Bill – Bem – esclareceu o irmão – Muito trabalho como sempre – revirou os olhos.
Jen – e como correu lá no ginásio amor? – Olhou o namorado.
Tom – Pois – coçou o couro cabeludo – A tua irmã não quis ir e além disso acho melhor ligares para ela – Esclareceu a namorada.
Bill – então mas ela não está? – Perguntou confuso.
Tom – Não – disse simplesmente sem muitas cerimónias.
Jen – Mas onde é que ela se enfiou? – Voltava do quarto da irmã – ela e todas as coisas dela? – Remexia na mala á procura do telemóvel.
Tom – Liga-lhe a fala com ela – olhou o irmão que o observava de sobrolho levantado, desconfiado do irmão. Bill sabia perfeitamente que Tom haveria feito algo.
Jen – Sim vou ligar – saiu da sala, abandonando os gémeos.
Bill – O que se passou Tom? – Sentou-se ao lado irmão.
Tom – Bill não comeces – olhou-o – eu não fiz nada – defendeu-se – Ela não quis ir ao ginásio, voltamos para casa e quando dei por ela, tinha as malas feitas e á porta – esclareceu o gémeo curioso.
Jen – eu vou ter com ela – saiu da cozinha, ainda a desligar o telemóvel, pegou no casaco e saiu disparada de casa sob o olhar dos irmãos.
Bill – Tom – disse calmamente – A Jen já saiu portanto agora podes dizer-me a verdade.
Tom – Ontem quando tu e a Jen foram sair, eu e a Emily viemos para casa. Assim que chegámos ela foi para o quarto e eu fiquei aqui – olhou o sofá – Depois fui até ao quarto dela – suspirou – Tive de ir, algo me levou até lá – Bill olhava-o minuciosamente – Tentei seduzi-la, mas aquela miúda é difícil – sorriu – Depois fui para o meu quarto, tentar dormir, mas não conseguia. Depois ouvi um barulho e vi-a – olhou o irmão – Acabamos por nos envolver, claro.
Bill – No quarto da tua namorada? Que é irmã dela? – Repreendeu o gémeo.
Tom – Claro que não Bill – revirou os olhos – Fomos para o quarto dela – esclareceu o irmão – Ela disse que era a ultima vez que nos envolvíamos e para aproveitar-mos, e foi isso que fizemos, aproveitamos. Mas sempre com o receio que vocês aparecessem, obviamente.
Bill – Mas quando chegámos tu já estavas no quarto e ela a dormir – olhou o irmão confuso – Eu fui ver e ela estava a dormir.
Tom – Sim, depois fui deitar-me e depois chegaram vocês - apontou o irmão – Mas a Jen quando chegou começou a insinuar-se e sabes que ela não gosta de ouvir um não – suspirou.
Bill – Deixa-me adivinhar – levantou-se e deambulou pela sala – A Emily descobriu que depois de estares com ela, foste para a cama com a Jen – afirmou.
Tom – Sim, mas não fui eu que lhe contei – corrigiu – De manhã cheguei á cozinha com a Jen e a Emily já lá estava á minha espera para irmos ao ginásio e Jen gabou-se logo que “quando cheguei ainda tive festinha” – Revirou os olhos.
Bill – Uiii – franziu a testa e gozou o irmão, levando Tom a atirar-lhe a almofada.
Tom – Não gozes – pediu – A Emily ficou uma autêntica fúria. A Jen percebeu que ela ficou chateada, mas não percebeu o porque, e ainda bem – riu-se – Depois claro que quando ficamos sozinhos ela descarregou e disse-me tudo.
Bill – Normal – acendeu um cigarro – Se fosse comigo levavas um estalo – olhou a cara do irmão e percebeu que levou mesmo um estalo – Oh God, tu levaste um estalo – Bill ria-se ás gargalhadas e Tom amuava.
Tom – Tens uma graça – levantou-se – Ela disse que foi tudo um erro.
Bill – E tu? – Levantou-se e juntou-se ao lado do irmão, olhando a vista sob a cidade pela janela – Achas que foi tudo um erro?
Tom – Não Bill – suspirou – Não acho – bateu ombro do irmão e abandonou a sala, entrando no seu quarto.
Bill – Ai Tom – apagou o cigarro – No que tu te foste meter.
Depois dele ter saído do seu quarto, depressa adormeceu e nem sequer deu conta se a sua irmã e Bill haviam chegado. Acabou por acordar cedo. O relógio marcava 9 horas e se bem se lembrava tinha ficado de ir ao ginásio mais Tom, mas esse ainda deveria estar pregado no sono, por isso decidiu levantar-se e ir tomar um banho.
Vestiu umas leggins pretas, um top branco, uns ténis de desporto e um casaco cinzento atado até meio. Atou o cabelo num alto rabo-de-cavalo e saiu do quarto, indo em direcção á cozinha para tomar o pequeno-almoço. Retirou uma taça do armário, os cereais de um outro e o leite do frigorífico. Assim que o que queria comer estava pronto, sentou-se num banco alto que se encontrava na bancada e ficou virada para a porta começando a comer e a ouvir as notícias na televisão que havia ligado.
Ouviu uns barulhos vindos da sala e logo uma Jen e um Tom completamente ensonados entraram por aquela cozinha.
Jen – Bom dia maninha – Deu um beijo na bochecha da irmã e tirou o leite do frigorífico depositando-o num copo.
Emily – Bom dia – levou uma colher de cereais á boca e olhou a irmã e a seguir Tom.
Jen – Então o Tom portou-se bem ontem á noite? – Emily engasgou-se com os cereais e olhou a irmã
Emily – Como assim se portou bem? – Tentou disfarçar. Olhou a cara dele de completo descanso.
Jen – Se te chateou muito – riu-se e ele imitou-a.
Tom – Ela assim que chegou foi logo deitar-se e eu também – Esclareceu a namorada.
Jen – Mas quando cheguei com o teu irmão estavas acordado amor – olhou-o.
Tom – Acordei porque não dei contigo na cama – mentiu – Depois decidi esperar.
Jen – E fizeste bem – sorriu-lhe – Tanto que quando cheguei ainda tive festinha – Tom olhou a namorada e sorriu-lhe, vendo Emily completamente passada com o que tinha ouvido.
Emily – Eu vou ao ginásio – levantou-se, mandando brutamente com a taça para o lavatório e saindo disparada daquela divisão.
Jen – Mas o que é que lhe deu? – Olhou a porta e de seguida o namorado que deu de ombros fingindo não saber.
Assim que chegou ao quarto só lhe apetecia partir tudo á sua volta, mas controlou-se o suficiente para a sua irmão não perceber o sucedido. Arranjou rapidamente a mala para o ginásio, lavou os dentes e saiu do quarto dando de caras com a irmã e o namorado á porta de casa.
Jen – Nós vamos contigo – esclareceu a irmã que estava com cara de “Que estão aqui a fazer?”
Emily – Eu posso perfeitamente ir sozinha – sorriu á irmã – O Bill? – Olhou á sua volta.
Tom – Está a dormir, mas pelo que sei está acompanhado – sorriu matreiro ao mesmo tempo que respondia á rapariga.
Emily – Eu nem sequer te perguntei nada a ti – atirou.
Jen – Emily! – Repreendeu – Que te deu?
Emily – Nada – empurrou aqueles dois e saiu – Vêm ou vão ficar ai a olhar?
Ambos se olharam e saíram atrás dela entrando no elevador sem pronunciar uma única palavra. Emily mexia no telemóvel distraidamente e retirou as chaves do carro da mala.
Emily – Eu vou no meu carro – saiu do elevador, encontrando o seu carro intacto – E vocês?
Jen – A mim deixas-me no trabalho, vocês vão os dois para o ginásio falar com o amigo do Tom – disse sentando no lugar de trás, dando a entender que sairia primeiro e para Tom se sentar á frente.
Emily – Então mas não vinhas comigo? – Olhou a irmã pelo espelho retrovisor.
Jen – Até meio caminho – retirou os óculos e sol da mala e colocou-os na cara – Não me mates o namorado – gozou.
Tom – Vontade não lhe deve faltar – olhou Emily completamente passada.
Jen – Porque dizes isso? – Emily apertava o volante com as mãos tentando conter a raiva. Que lata que ele tinha. Tinha estado com ela, ido para a cama com ela e assim que Jen chegou da festa enrolou-se com ela também. Era preciso muita lata.
Tom – Por nada – sorriu – Maneira de dizer – esclareceu olhando a namorada.
Emily – Chegámos – informou a irmã – É preciso vir buscar-te?
Jen – Não – respondeu enquanto procurava as chaves do escritório – O Bill vem trabalhar depois e saímos á mesma hora – esclareceu. Deu um beijo ao namorado e saiu do carro. Emily arrancou e nem pronunciou uma única palavra ao moreno.
Tom – Vira aqui – pediu quebrando o silêncio. Ela não obedeceu seguindo em frente – Estás a ouvir-me? – Olhou-a e esta fingia não ouvir – Emily – tocou-lhe no braço recebendo uma chapada na cara. Ele levou a mão á face, ainda incrédulo com a atitude dela – Para que foi isto?
Emily – Cala a boca senão queres levar mais – ele esbugalhou os olhos – Tens uma lata Tom – riu-se – Dizes que me queres, que não paras de pensar naquela noite e queres mais e depois vais enrolar-te com a minha irmã depois de teres estado comigo? Muito baixo Kaulitz – ironizou.
Tom – Ela queria e eu nunca me neguei á tua irmã – esclareceu – Ela iria achar que se passava alguma coisa.
Emily – E não sabes dizer que não? – Parou o carro, trancou as portas e olhou-o – Ou és tão cão que fazes tudo o que te mandam? – Riu-se ironicamente.
Tom – A tua irmã ia desconfiar – revirou os olhos – Mas já que fazes tanta questão, assim que chegarmos a casa eu conto-lhe tudo – Emily assustou-se e ele viu isso na cara dela. Sabia que ela poderia gostar de estar com ele e tudo mais, mas a felicidade de Jen estava acima de isso tudo.
Emily – É que tu nem penses numa coisa dessas – olhou furtivamente e apontou-lhe o dedo – Ela ama-te e eu quero tudo menos destruir a felicidade da minha irmã – aos poucos a morena sentiu-se a fraquejar – tu – engoliu a seco.
Tom – O que eu fiz foi errado sim – confessou – Mas ela pediu-me – encolheu os ombros e olhou-a suavemente – Só me neguei uma vez á tua irmã e ela fez um filme enorme para tentar descobrir porque eu o tinha feito. Ela é ciumenta, bastante – revirou os olhos.
Emily – Não me interessa – meteu-se direita no banco – O que tu e a minha irmã fazem só a vós vos diz respeito, por isso – colocou o cinto – Isto acabou – apontou para ambos – Morreu aqui o que se passou. Foi um erro.
Tom – Um erro? – Perguntou cautelosamente.
Emily – Sim – suspirou e ligou o carro – A partir de hoje és apenas o meu cunhado, namorado da minha irmã – arrancou sem lhe dar oportunidade de falar. Tom havia ficado tocado com aquelas palavras, “Um erro “, se ela achava isso ele não iria contradizer.